Antes de falar do CTG somos obrigado a falar do gaúcho.
O gaúcho sempre foi gaudério por natureza, seu espírito
de liberdade ultrapassou as fronteiras do Rio Grande e conquistou o território
nacional.
Distância, obstáculos e perigo nunca foram problemas,
pois contava com cinco aliados: as quatro patas do cavalo para cruzar caminhos
e descobrir novas querências e a lança em riste para defender-se de possíveis
inimigos. Assim aconteceu o desbravamento do Brasil à partir do oeste de Santa
Catarina e Paraná, após Mato Grosso e Goiás.
O GAÚCHO NO PLANALTO Por volta de 1924 a Coluna Prestes
saindo de São Luiz Gonzaga-RS, acredita-se que teria passado justamente por
aqui, perseguida de perto pela Brigada Militar, em direção a Bahia. Seria a 1a
vez que gaúchos organizados teriam passado por estas bandas. À medida em que a
Coluna ia marchando uns ficavam, outros aderiam. Mas a chegada efetiva dos
gaúchos no Planalto Central deu-se com a construção de Brasília. Já em 1957,
caminhoneiros que abasteciam a construção da nova capital, principalmente com
madeira, enquanto aguardavam o momento de descarregar suas cargas ou faziam a
manutenção de seus caminhões para novas jornadas, matavam a saudade do pago com
o churrasco, chimarrão, músicas e causos, introduzindo nossa cultura nestes
pagos. Após a fundação da capital, houve muitos atrativos e vieram muitos militares
e funcionários públicos.
Num segundo momento chegaram os agricultores e criadores
para colonizar e povoar a terra, formando comunidades rurais para produção de
alimentos. O maior exemplo é o PAD-DF. Em 1963, quando assumiu João Goulart,
gaúcho de São Borja, trouxe muitos conterrâneos, principalmente da Polícia
Federal e Militares. Estes gaúchos aqui radicados fundaram Entidades Gaúchas,
dentre as quais destacamos: CTG Saudades da Querência; CTG Tropeiros do Sul;
CTG Galpão Farroupilha; CTG Querência Farroupilha; Estância Gaúcha do Planalto;
e Centro de Tradições Nativista Jayme Caetano Braun (hoje CTG Jayme Caetano
Braun); E ainda Grupos como: Teatinos e Eruá.
Foi assim que a partir de 1986, quando estávamos em plena
década do Nativismo Gaúcho começaram as primeiras reuniões na Churrascaria do
Bonfim, lideradas pelos missioneiros Renato Fioravanti e o Arlindo de Oliveira
Xavier Neto, que viriam a ser, respectivamente, o primeiro Patrão e o primeiro
Capataz geral. Em 10 de janeiro de 1987 foi assinado o primeiro manifesto de
fundação; em 14 de fevereiro, a segunda reunião e finalmente sua fundação em 04
de abril de 1987.
Este é o nosso CTG, sediado na Capital de todos os
brasileiros, que congrega em seu quadro social tradicionalistas gaúchos e
simpatizantes das causas tradicionalistas. Entidade sem fins lucrativos, com
fins filantrópicos e culturais, que tem por finalidade o culto das tradições do
Rio Grande do Sul, tais como: história, danças, hábitos e linguajar típicos,
sempre baseados em dados históricos e culturais.
Neste momento de festa em que nosso CTG completa 21 anos
de existência, queremos agradecer aos patrões e patroas, peões e prendas, enfim
a todos que de uma maneira ou de outra colaboraram para que chegássemos a ser o
que somos hoje: um templo do Rio Grande aqui no Planalto Central. Que São Pedro
nosso protetor nos acompanhe sempre; que Maria - 1a Prenda do céu - rogue as
bênçãos ao Capataz Geral do firmamento; e ao Patrão Celestial, nos abençoe e
nos guarde.
Vida longa ao Centro de Tradições Gaúchas Jayme Caetano
Braun.
"TRADIÇÃO,
ALMA DE UM POVO; FOLCLORE, REAFIRMAÇÃO DE UMA CULTURA"